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Saudade e solidão depois de emigrar: o que é normal

Saudade de casa e solidão são comuns depois de emigrar. Saiba o que é normal, quando pode ser mais do que isso e o que ajuda a sentir-se em casa.

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Banco vazio num parque.
Pexels

Informação de carácter geral — não substitui consulta médica individualizada.

Sentir saudade e solidão depois de emigrar é normal: perdeu-se de uma vez a família por perto, os amigos, a língua, a comida e os hábitos. Costuma ser mais intenso nos primeiros meses e em datas especiais. Rotina, poucas relações próximas e comunidade ajudam. Se a tristeza for constante durante semanas e afetar o dia a dia, pode ser mais do que saudade.

Fazer o teste: como está a correr a sua emigração?

Porque é que emigrar custa tanto?

O psiquiatra Joseba Achotegui descreveu o luto migratório: ao emigrar, perdem-se várias coisas ao mesmo tempo. A família e os amigos. A língua. A cultura e os pequenos hábitos. A paisagem e o clima. O estatuto profissional e social. O sentimento de pertença a um grupo.

Não é uma perda definitiva, porque Portugal continua lá, mas é real. E, ao contrário de outros lutos, repete-se: a cada regresso de férias, a cada despedida no aeroporto. Quando a perda é a de um pai ou de uma mãe, o artigo sobre luto à distância trata dessa camada à parte.

Saudade não é fraqueza

A saudade é uma forma de amor pelo que ficou. Não significa que emigrar foi um erro, nem que não se está a adaptar. Muitos portugueses vivem bem fora durante décadas e continuam a sentir saudade. O problema não é senti-la; é quando ela ocupa todo o espaço.

A solidão de quem emigra

A solidão no estrangeiro tem características próprias:

  • as relações novas são mais superficiais no início, e demoram tempo a aprofundar;
  • a língua cansa: socializar numa segunda língua gasta energia, e muitas pessoas acabam por evitar;
  • o fuso horário e a rotina dificultam as conversas com quem ficou;
  • a vida dos amigos em Portugal continua, e pode surgir a sensação de ficar de fora.

É também comum sentir-se sozinho mesmo com companhia: com um parceiro, colegas ou até outros portugueses. Se a distância ou a mudança está a pesar na relação, a terapia de casal online junta os dois na mesma sessão, mesmo que estejam em países diferentes.

O que ajuda

  1. Criar rotina. Horários, um café habitual, um treino semanal. A rotina dá estrutura e ocasiões de contacto.
  2. Investir em poucas relações próximas. Duas ou três pessoas de confiança valem mais do que muitos conhecidos.
  3. Procurar comunidade, sem se fechar nela. Associações portuguesas e grupos dão pertença; relações com pessoas locais ajudam a sentir que este também é o seu lugar. O choque cultural do primeiro ano descreve estas fases.
  4. Manter contacto com casa, com equilíbrio. Chamadas regulares ajudam; viver virado para Portugal todos os dias pode dificultar a adaptação.
  5. Trazer um pouco de casa para a casa nova. Cozinhar pratos portugueses, festejar os Santos Populares, ver o futebol com amigos.
  6. Cuidar do corpo. Sono, luz natural e exercício pesam muito no humor, sobretudo em países com invernos escuros.

Quando pode ser mais do que saudade

Procure apoio se, durante mais de duas semanas:

  • a tristeza ou o vazio estão presentes quase todos os dias;
  • perdeu o interesse por coisas de que gostava;
  • dorme ou come muito mais ou muito menos do que o habitual;
  • tem dificuldade em concentrar-se ou em funcionar no trabalho;
  • sente-se sem valor ou sem esperança.

Estes podem ser sinais de depressão, que tem tratamento. A diferença em relação ao luto e à tristeza está em tristeza, luto ou depressão. Fazer terapia na língua materna ajuda muito: é mais fácil pôr em palavras o que se sente em português. A página para este pedido é psicólogo para emigrantes.

Se sentir que não aguenta ou pensar em fazer mal a si próprio, ligue de imediato para o número de emergência do país onde está (112 na União Europeia e no Reino Unido).

Perguntas frequentes

É normal sentir muita saudade depois de emigrar?

Sim. A saudade é uma resposta natural à perda da família, da língua, da comida e dos hábitos. Costuma ser mais intensa nos primeiros meses e em datas especiais.

Como combater a solidão no estrangeiro?

Criando rotina, investindo em poucas relações próximas, procurando comunidades (portuguesas e locais) e mantendo contacto regular, mas não exclusivo, com quem ficou.

Quando é que a saudade pode ser depressão?

Quando a tristeza é constante durante semanas, perde interesse por tudo, dorme e come muito mal ou deixa de conseguir funcionar no trabalho.


Este artigo é informativo e não substitui uma consulta de psicologia.

Fontes

  • Joseba Achotegui — luto migratório e síndrome de Ulisses
  • Organização Mundial da Saúde — depressão
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