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Voltar a Portugal: o choque inverso de quem regressa

Regressar a Portugal pode ser mais difícil do que emigrar. Saiba o que é o choque cultural inverso, porque acontece e como preparar o regresso.

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Caminho numa floresta iluminada pelo sol.
Pexels

Informação de carácter geral — não substitui consulta médica individualizada.

Regressar a Portugal pode ser mais difícil do que emigrar, porque não se espera. O choque cultural inverso é a sensação de já não se encaixar totalmente: a pessoa mudou, o país mudou, e a vida que se deixou já não existe como era. É normal e costuma passar com tempo, expectativas realistas e apoio.

O que é o choque cultural inverso?

Quando emigramos, sabemos que vai ser difícil. Quando voltamos, esperamos regressar a casa. Por isso o desconforto apanha muitas pessoas de surpresa:

  • os amigos seguiram com a vida e os grupos mudaram;
  • as conversas e prioridades parecem diferentes;
  • hábitos que adquiriu lá fora (pontualidade, forma de trabalhar, horários) chocam com os de cá;
  • ninguém parece muito interessado em ouvir sobre a vida que teve fora;
  • sente-se estrangeiro no próprio país.

Quem ainda está no primeiro ano fora pode reconhecer o percurso inverso no artigo sobre choque cultural.

Porque acontece

Durante os anos fora, construiu-se uma imagem idealizada de Portugal, alimentada pela saudade e pelas férias de verão. As férias não são o dia a dia: não incluem a burocracia, os salários, o trânsito, a rotina.

Ao mesmo tempo, mudou. Ganhou autonomia, outras referências e outras formas de ver as coisas. Voltar implica integrar essa nova identidade num lugar que o conhecia de antes. A saudade que alimentou essa imagem não desaparece no dia da chegada.

O que costuma custar mais

  • Trabalho: diferenças de salário, de cultura de trabalho e de reconhecimento da experiência internacional.
  • Relações: reencontrar amigos e família e perceber que a ligação precisa de ser reconstruída.
  • Filhos: crianças que cresceram fora podem sentir o regresso como uma emigração, com nova língua de escola e novos amigos.
  • Parceiro estrangeiro: que agora vive o seu próprio choque cultural.
  • Perda da vida de lá: também se faz um luto do país que se deixou.

Como preparar o regresso

  1. Expectativas realistas. Pensar em Portugal como é no dia a dia, não nas férias.
  2. Planeamento prático. Trabalho, casa, escola, saúde, finanças. Existe o Programa Regressar, com apoios para emigrantes que voltam; confirme as condições em vigor.
  3. Manter o que foi bom lá fora. Hábitos, relações, formas de viver que quer levar consigo.
  4. Dar tempo. O primeiro ano de regresso pode ser tão exigente como o primeiro ano fora.
  5. Construir novas relações, em vez de esperar que as antigas voltem exatamente como eram.
  6. Falar sobre isso. Outros regressados percebem sem precisar de explicação.

Quem pondera voltar por causa dos pais pode ler também a culpa de deixar os pais em Portugal.

Quando procurar apoio

Procure apoio se, meses depois do regresso, sentir que não pertence a lado nenhum, se estiver constantemente a arrepender-se, se a tristeza ou a irritação afetarem a família, ou se estiver a pensar emigrar outra vez apenas para fugir do desconforto.

Pode começar ainda antes de regressar: uma consulta online ajuda a pensar a decisão e a preparar a transição. O pedido certo é psicólogo para emigrantes.

Perguntas frequentes

O que é o choque cultural inverso?

É o desconforto de regressar ao país de origem e sentir que já não se encaixa totalmente, porque a pessoa e o país mudaram.

É normal sentir-se estrangeiro no próprio país?

Sim. Muitos emigrantes regressados sentem isso nos primeiros meses. Costuma diminuir com tempo e rotina.

Como preparar o regresso a Portugal?

Com expectativas realistas, planeamento prático (trabalho, casa, escola, apoios ao regresso) e espaço para o lado emocional do regresso.


Este artigo é informativo e não substitui uma consulta de psicologia.

Fontes

  • Literatura sobre repatriação e choque cultural inverso
  • Governo de Portugal — Programa Regressar
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