Sociedade do rendimento
Sociedade do rendimento (Byung-Chul Han): autoexigência, culpa ao descansar e hiperprodutividade — e como esta cultura alimenta o burnout nas organizações.
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Ver disponibilidade desta semanaQuantas vezes chegas ao final do dia sentindo que, apesar de teres estado em movimento constante, não foi suficiente? Que devias ter feito mais, que devias ter-te esforçado mais? Esta sensação tem nome: vivemos imersos naquilo que o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han chamou de «sociedade do rendimento».
É o pano de fundo cultural onde florescem a síndrome do executivo, a dificuldade em exercer o direito a desligar e, muitas vezes, o burnout.
Uma prisão sem grades visíveis
Ao contrário das sociedades disciplinares do passado, marcadas por proibições e imposições externas, a sociedade do rendimento funciona de forma diferente: já não há uma autoridade externa a obrigar-nos a produzir. Somos nós próprios que, em nome da autorrealização e da liberdade, nos submetemos a uma exigência constante. O resultado é paradoxal — sentimo-nos livres, mas tornamo-nos, na prática, escravos do próprio ego.
Como isto se manifesta no trabalho
Esta autoexigência traduz-se em sintomas concretos:
- Dificuldade em desligar
- Sensação permanente de «não chegar a tudo»
- Culpa associada ao descanso
- Identidade fundida com o desempenho
É um terreno particularmente fértil para o desenvolvimento de burnout, precisamente porque a pressão já não vem apenas de fora — vem de dentro, o que a torna mais difícil de identificar e de contestar.
Quem lidera ou empreende reconhece o padrão em gestores e empreendedores. O teste de burnout ajuda a separar «ainda consigo» de esgotamento objectivo.
O que isto significa para as organizações
Uma cultura corporativa que celebra acriticamente a hiperprodutividade — o «sempre disponível», o «sempre a mais» — alimenta diretamente esta dinâmica. Reconhecer este pano de fundo cultural é importante para qualquer estratégia de bem-estar: não basta ensinar técnicas individuais de gestão do stress se a própria cultura organizacional continuar a premiar, implícita ou explicitamente, a autoexploração.
Questionar o que significa realmente «rendimento» — e distingui-lo de exigência sem limites — é um dos passos mais estruturais que uma organização pode dar para proteger a saúde mental das suas equipas a longo prazo.
Complementa-se com ambiente de trabalho saudável, apoio percebido e meraki — sentido e paixão no trabalho sem confundir resiliência com aguentar o insustentável. Ver também capital psicológico.
Próximo passo
Revisto pela Drª Rita Aguiar ·
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