Meraki: paixão no trabalho
Meraki (grego): fazer com alma, criatividade e paixão. Como aplicar no trabalho, o papel do apoio percebido, e porque autonomia e propósito interessam às organizações.
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Ver disponibilidade desta semanaHá palavras que não têm tradução direta, mas que captam algo que todos reconhecemos. Meraki é uma delas: de origem grega, significa fazer algo com criatividade, inspiração, paixão, alma e amor — colocar toda a essência naquilo que se faz, seja um hobby, um desporto ou o próprio trabalho.
Não é o oposto ingénuo do burnout: paixão sem limites pode virar sociedade do rendimento. O meraki sustentável precisa de sentido e de fronteiras — como o direito a desligar.
Uma questão de atitude, não de circunstância
Aplicar o meraki não depende necessariamente de mudar de emprego, mas sim de mudar a forma de olhar para as exigências diárias. Encarar cada tarefa como um desafio ou uma meta — em vez de uma ameaça — é o que distingue quem se sente apenas a «cumprir horário» de quem encontra sentido no que faz. Quem vive cada exigência com receio dificilmente consegue aplicar esta filosofia; quem a aborda com proatividade tende a experienciar maior compromisso e paixão.
Liga-se ao capital psicológico (autoeficácia, esperança, resiliência) — e ao risco inverso do boreout, quando falta significado.
O papel do contexto
O meraki não depende só da pessoa. O apoio percebido — vindo da equipa ou das chefias — é essencial para evitar burnout e stress, e receber feedback regular sobre o trabalho desempenhado ajuda a encontrar sentido no que se faz. Ou seja: mesmo a atitude individual mais positiva precisa de um ambiente que a sustente para não se esgotar.
Como começar a aplicá-lo
- Refletir sobre as próprias forças e o que realmente motiva.
- Encarar dificuldades como desafios a resolver, não como ameaças.
- Procurar e dar feedback ativamente, em vez de esperar por ele.
- Estabelecer metas que façam sentido pessoal, não apenas objetivos impostos — e metas exequíveis, para não cair em sisifemia.
Porque interessa às organizações
Quanto mais paixão motiva as ocupações de uma pessoa, maior tende a ser o seu rendimento e satisfação. Para as empresas, isto significa que investir em autonomia, reconhecimento e sentido de propósito — os ingredientes que tornam o meraki possível — não é apenas uma questão de cultura organizacional simpática: é um investimento direto em desempenho e retenção de talento.
Próximo passo
Se a paixão já deu lugar a esgotamento:
Revisto pela Drª Rita Aguiar ·
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