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Empresas › Programa anti-burnout para empresas

Avaliação de riscos psicossociais: guia prático para empresas

O que são riscos psicossociais, porque vale a pena avaliá-los e como fazer uma avaliação que leve a mudanças reais na equipa.

Atualizado a · Lon Clinic

Resposta curta: sim, é obrigatório. Em Portugal, a Lei n.º 102/2009 (artigo 15.º) obriga todos os empregadores a avaliar e prevenir os riscos profissionais, incluindo os psicossociais: carga de trabalho, ritmo, autonomia, relações, conflitos e a dificuldade em desligar fora do horário. A avaliação deve ser atualizada sempre que mude a organização do trabalho. Na prática, faz-se com um questionário anónimo validado, análise por equipa e um plano de medidas. Para o resumo das obrigações, ver saúde mental no trabalho: o que a lei obriga.

O que são riscos psicossociais

São aspetos da organização e da gestão do trabalho que podem causar dano psicológico ou físico. Os mais comuns:

  • carga de trabalho excessiva ou prazos irrealistas;
  • pouca autonomia sobre como e quando fazer o trabalho;
  • funções pouco claras ou exigências contraditórias;
  • falta de apoio das chefias e dos colegas;
  • conflitos, assédio, tratamento injusto;
  • insegurança no emprego;
  • disponibilidade permanente e contactos fora do horário de trabalho.

O burnout é um dos resultados possíveis de uma exposição prolongada a estes fatores.

Porque vale a pena avaliá-los

  • Mostram onde está o risco antes de aparecerem baixas, saídas e erros.
  • Dão prioridades: o que mudar primeiro, em que equipa.
  • Permitem medir se as mudanças resultaram.
  • Fazem parte da prevenção de riscos no trabalho, tal como os riscos físicos.

Como fazer a avaliação, passo a passo

  1. Quem faz. O serviço de segurança e saúde no trabalho da empresa (interno ou externo), com envolvimento dos trabalhadores ou dos seus representantes.
  2. Recolher dados. Questionário validado, aplicado de forma confidencial, e indicadores que já existem: absentismo, rotação, horas extra, acidentes, queixas.
  3. Analisar por grupos. Por equipa ou departamento, com um número mínimo de respostas por grupo (por exemplo, 10) para proteger o anonimato.
  4. Decidir medidas. Prioridades concretas, com responsável e prazo: rever cargas, clarificar funções, formar chefias, regras para contactos fora do horário.
  5. Documentar e comunicar. Registar a avaliação e as medidas, e explicar às equipas o que vai mudar.
  6. Reavaliar. Depois das mudanças e a intervalos regulares. Uma segunda medição aos 6 meses mostra se as medidas resultaram.

Ver também como medir o burnout na sua equipa.

Erros frequentes

  • Fazer o questionário e não mudar nada. Pior do que não perguntar.
  • Mostrar resultados de grupos pequenos, onde é fácil identificar quem respondeu.
  • Tratar o tema só com ações individuais (mindfulness, fruta no escritório) sem mexer nas causas.
  • Esquecer as chefias intermédias, que são quem mais influencia o dia a dia das equipas.

Fontes

Perguntas frequentes

O que são riscos psicossociais?

Aspetos da organização do trabalho que podem causar dano: carga excessiva, pouca autonomia, funções pouco claras, falta de apoio, conflitos e disponibilidade permanente.

Que questionário usar?

Não há um questionário oficial obrigatório em Portugal. Use instrumentos validados, com licença adequada, e combine-os com outras fontes: absentismo, rotação, entrevistas.

Quem faz a avaliação?

O serviço de segurança e saúde no trabalho da empresa, interno ou externo, com envolvimento dos trabalhadores. Um programa de burnout pode complementá-la com rastreio e acompanhamento clínico.

Informação de carácter geral. Não substitui aconselhamento jurídico nem uma avaliação clínica individual.