Empresas › Programa anti-burnout para empresas
Guia para chefias: como falar com um colaborador em burnout
Como preparar e conduzir a conversa com um colaborador que mostra sinais de burnout: o que dizer, o que evitar e que ajuda oferecer.
Atualizado a · Lon Clinic
Resposta curta: fale em privado, sem pressa, comece pelo que observou («tenho notado que pareces muito cansado») e pergunte como pode a empresa ajudar. Não faça diagnósticos, não minimize e não prometa o que não pode cumprir. Termine com um passo concreto: reduzir carga, apoio psicológico confidencial ou consulta médica. Volte a falar dentro de uma ou duas semanas. O que se disser é confidencial.
Sinais que justificam a conversa
- Alguém fiável começa a falhar prazos ou a cometer erros pouco habituais
- Irritabilidade, cinismo ou distanciamento que não eram da pessoa
- Cansaço visÃvel que não passa com fins de semana ou férias
- Trabalhar fora de horas de forma constante, ou o contrário: desligar de tudo
- Faltas mais frequentes, queixas fÃsicas (dores de cabeça, insónia)
Ver também 9 sinais de burnout no trabalho.
Antes da conversa
- Escolha o momento: não depois de um erro, não à sexta às 18h, não por chat.
- Prepare factos, não rótulos: «nas últimas três semanas entregaste dois relatórios depois do prazo», não «andas desmotivado».
- Saiba que ajuda pode oferecer: margem para redistribuir trabalho, flexibilidade de horário, apoio psicológico disponÃvel na empresa.
Durante a conversa
Comece pela pessoa, não pelo desempenho.
«Tenho notado que pareces mais cansado nas últimas semanas. Como estás?»
Ouça. Deixe silêncios. Não interrompa com soluções.
Não diagnostique. Evite «acho que tens burnout». Diga o que observou e pergunte.
Reconheça. «Faz sentido estares assim, com o que tem sido este trimestre.»
Pergunte o que ajudaria. Muitas vezes a pessoa sabe: um projeto a menos, um prazo empurrado, uma semana de férias.
Feche com um passo concreto. Uma mudança no trabalho e uma data para voltar a falar.
O que evitar
- Minimizar («todos estamos cansados»)
- Comparar («eu também passei por isso e aguentei»)
- Prometer o que não pode cumprir
- Contar a outras pessoas sem autorização
- Transformar a conversa numa avaliação de desempenho
O que não dizer (e o que dizer em vez disso)
- «Acho que tens burnout.» → «Tenho notado que pareces mais cansado. Como estás?»
- «Todos estamos cansados, é uma fase.» → «Percebo que isto está a pesar. O que tornaria a carga mais sustentável?»
- «Tens de aguentar até ao fim do projeto.» → «Vamos ver o que pode sair da tua lista já esta semana.»
- «Não te preocupes, eu trato de tudo.» → «Posso fazer isto e isto. O resto vemos juntos na próxima conversa.»
Se a pessoa precisar de mais
- Sugira apoio profissional e diga onde o encontrar (programa da empresa, médico de famÃlia, consulta).
- Se houver sinais de risco imediato, por exemplo falar em fazer mal a si próprio, não deixe a pessoa sozinha e ligue 112.
- Se a pessoa precisar de baixa, respeite. O regresso também se prepara: ver regresso ao trabalho depois de um burnout: guia para RH.
Depois
Volte a falar na data combinada. Confirme se a mudança aconteceu. Uma conversa sem seguimento perde o efeito, e a pessoa conclui que não valia a pena ter falado.
Para a chefia também é exigente: procure apoio nos RH ou num profissional se a situação se arrastar.
Perguntas frequentes
Devo dizer ao colaborador que acho que tem burnout?
Não faça diagnósticos. Descreva o que observou, pergunte como está e ofereça ajuda concreta.
E se o colaborador negar?
Respeite. Deixe a porta aberta, diga onde pode pedir ajuda e volte a falar dentro de algumas semanas.
Posso contar à equipa?
Não sem autorização do colaborador. Informação de saúde é confidencial.
Informação de carácter geral. Não substitui aconselhamento jurÃdico nem uma avaliação clÃnica individual.