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Saúde intestinal

10% Humano: o microbioma e a ilusão do probiótico milagroso

Tomar probióticos genéricos depois de antibióticos pode atrasar a recuperação do seu microbioma, mostra estudo na Cell. Veja o que a ciência recomenda.

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10% Humano: o microbioma e a ilusão do probiótico milagroso

Informação de carácter geral — não substitui consulta médica individualizada.

Alanna Collen explora como os biliões de microrganismos no trato digestivo influenciam o sistema imunitário, o peso e a suscetibilidade a doenças crónicas, defendendo a restauração da flora intestinal. O papel do microbioma é real. O salto para o probiótico milagroso não é.

O que a evidência científica diz

O papel do microbioma no metabolismo está bem documentado. Estudos de referência (Turnbaugh et al., Nature, 2006) mostraram que a proporção entre as famílias bacterianas Firmicutes e Bacteroidetes está associada à capacidade de extração de energia dos alimentos, com implicações no peso corporal.

A falha comum que surge após a leitura do livro é o consumo indiscriminado de probióticos de prateleira, sobretudo após um curso de antibióticos. Um ensaio clínico controlado (Suez et al., Cell, 2018) mostrou, em humanos e ratinhos, que a toma de probióticos multi-estirpe após antibioterapia atrasa e torna incompleta a reconstituição do microbioma intestinal próprio, comparado com a simples recuperação espontânea — um resultado que surpreendeu a comunidade científica na altura, precisamente por contrariar a intuição de que «mais bactérias boas» seria sempre benéfico.

A mesma lógica aparece noutro capítulo desta série, sobre psicobióticos: os efeitos demonstrados são estirpe-dependentes, não um atributo de qualquer iogurte.

A abordagem clinicamente viável

Na Lon Clinic, não prescrevemos probióticos genéricos. Avaliamos a sintomatologia e a tolerância alimentar para adaptar a ingestão de fibras prebióticas e compostos bioativos de forma personalizada — em vez de recomendar um suplemento de prateleira igual para todos. Quem precisa de diversidade vegetal com segurança clínica encontra o mesmo critério em Food for Life: mais plantas, mas à velocidade do intestino, não do Instagram.

Sofre de inchaço abdominal constante ou digestões difíceis?

Perguntas frequentes

Tomar probióticos depois de antibióticos ajuda o intestino a recuperar mais depressa?

Nem sempre — pode até atrasar a recuperação. Um estudo controlado publicado na Cell mostrou que probióticos genéricos, tomados após antibioterapia, retardaram a reconstituição da microbiota própria em comparação com não tomar nada.

A proporção entre tipos de bactérias intestinais afeta mesmo o peso?

Há evidência que associa a proporção entre as famílias Firmicutes e Bacteroidetes à eficiência com que o corpo extrai energia dos alimentos, embora esta seja uma peça de um sistema muito mais complexo, não um fator isolado que determine o peso.


Este artigo tem fins informativos e não substitui uma avaliação clínica ou nutricional individual. Se está a atravessar uma crise ou tem pensamentos de fazer mal a si próprio, procure ajuda imediata através da linha SNS 24 (808 24 24 24) ou dos serviços de urgência (112).

Fontes

  • Suez J, et al. "Post-Antibiotic Gut Mucosal Microbiome Reconstitution Is Impaired by Probiotics and Improved by Autologous FMT." Cell. 2018;174(6):1406-1423. nutrition-evidence.com/article/30193113
  • Turnbaugh PJ, et al. "An obesity-associated gut microbiome with increased capacity for energy harvest." Nature. 2006;444:1027-1031. doi.org/10.1038/nature05414